Bradador

Bradador

O Corpo Que Não Descansa em Nenhum Mundo

"Gritar, bradar, lamentar…"

PRONÚNCIAbra-da-DOR

ORIGEMPortuguês

APURAÇÃOmedia

Há dor que não pune ninguém; só ecoa, sem fim, pela terra que se recusou a enterrá-la.

NO ARCADEPeça 64 no 2048A carta é liberada ao encontrar a entidade em um dos jogos.

Depois da meia-noite de sexta-feira, um berro atravessa os descampados de São Paulo e do Paraná, e quem ouve sabe que não é vento, nem bicho, nem fantasma comum. O Bradador tem corpo mumificado, seco como o de um morto-vivo, condenado a cumprir penitência na Terra por não ter encontrado paz nem entre os vivos, nem entre os mortos.

Alex Shibao; lápis, arte-final, cores (Chiaroscuro Studios Yearbook, 2018)

O CAUSO

5 parágrafos · 2 min de leitura

Existem assombrações que se anunciam por vulto, por passo, por sussurro. O Bradador se anuncia só por som, e o som basta para que ninguém mais durma naquela noite. Depois da meia-noite de sexta-feira, atravessando descampados nas áreas rurais mais isoladas, ele solta berros que ecoam terrivelmente aos ouvidos de quem está por perto, arrancando de vez qualquer chance de repouso. Sua presença é mais registrada em São Paulo e no Paraná, mas Minas Gerais e Santa Catarina também já reportaram visitas.

O que diferencia o Bradador de um fantasma comum é justamente aquilo que ele não é: não é espírito, não é assombração etérea, não é alma penada no sentido usual. É, segundo quem estuda o caso, um corpo; mumificado, seco, próximo do que se chamaria hoje de morto-vivo. A ressalva que os próprios estudiosos fazem é honesta: nem essa certeza é inteiramente sólida. Ninguém nunca o viu de fato, ou, mais precisamente, quem o viu não sobreviveu para contar. Tudo o que se sabe vem de segunda mão; do berro que ecoa, nunca de um encontro confirmado.

A causa do tormento é a mesma de tantas figuras condenadas do folclore ibérico: um corpo que a Terra recusou enterrar de vez, uma alma que não encontrou lugar nem entre os vivos, nem entre os mortos, obrigada a cumprir penitência eterna vagando por onde antes havia paz. Não há crime específico narrado para o Bradador brasileiro; apenas a condição de desterrado permanente, incapaz de descanso em qualquer um dos dois mundos que restam a uma alma.

A origem do Bradador remonta a Portugal, à lenda da Zorra Berradeira, uma mulher encantada que não cumpriu suas obrigações religiosas e foi castigada a viver, dependendo da distância de quem a vê, na forma de uma zorra (raposa velha, e também "rameira" em certas regiões portuguesas), de uma cabra preta, ou de um urubu repugnante. Assim como o Bradador brasileiro, ela berra histericamente durante a madrugada pelos campos, sem parar, impedindo bicho e gente de dormir. A tradição portuguesa registra a Zorra Berradeira nas proximidades da Ribeira de Odelouca, no Algarve, reaparecendo a cada sete anos, e adverte que quem escarnece dos berros dela depois da meia-noite é perseguido pela sombra até a morte.

Entre a versão portuguesa e a brasileira, o núcleo se mantém: uma figura condenada a gritar sem parar durante a madrugada, incapaz de encontrar sossego, e capaz de negá-lo a qualquer um que esteja por perto. A recomendação para quem topa com qualquer uma das duas, Zorra ou Bradador, é a mesma: tapar os ouvidos e correr o mais rápido possível até um lugar seguro. Não se enfrenta um grito que carrega dentro de si séculos de penitência não cumprida.

Aparência física

Corpo mumificado e seco, descrito como próximo de um morto-vivo, não é figura etérea nem incorpórea. Nenhuma descrição física detalhada sobrevive na tradição, já que a fonte afirma que ninguém que o viu diretamente permaneceu vivo para relatar.

Comportamento e hábitos

Atravessa descampados rurais isolados após a meia-noite de sextas-feiras, soltando berros e lamentos que impedem o sono de quem estiver por perto. Não há registro de ataque físico direto; o dano documentado é sonoro e psicológico, mas suficientemente intenso para ser tratado como ameaça grave.

Como aplacar

Nenhum ritual de aplacamento ou oferenda documentado.

Fuga e fraquezas

Tapar os ouvidos e correr até um local seguro é a única recomendação registrada, tanto para o Bradador quanto para sua contraparte portuguesa, a Zorra Berradeira. Nenhuma fraqueza física ou ritual de proteção documentado.