O projeto · por que ele existe

Um tributo
às nossas raízes

O folclore brasileiro num lugar só: enciclopédia aberta, jogos que se alimentam dela e uma API pública. Feito no Brasil, hospedado no Brasil.

Sempre fui apaixonado por cultura e por mitologia.

De qualquer canto do mundo.

E foi estudando as dos outros que a nossa começou a me incomodar. Eu sabia mais sobre o panteão nórdico do que sobre o que se conta a duas horas da minha casa.

Procurar uma lenda brasileira devolve três coisas: um resumo escolar de quatro linhas, um blog que copiou esse resumo, e uma imagem de IA que não tem nada a ver com a história. O material sério existe. Câmara Cascudo escreveu, Anchieta registrou no século XVI, a academia publica. Mas está em livro fora de catálogo e em PDF de universidade.

Enquanto isso, quem quiser fazer um jogo ou um trabalho de escola sobre folclore japonês, grego ou nórdico encontra enciclopédia organizada, arte consistente e API pública. Sobre o nosso, não encontra nada disso.

O Encantaria nasceu daí. Um tributo às nossas raízes, e uma forma de divulgar e educar usando o que hoje segura a atenção das pessoas: jogo, coleção, progressão.

Não para transformar lenda em brinquedo. Para usar o brinquedo como porta de entrada: você chega pela carta e sai lendo de onde vem o nome da entidade, em que estado ela é contada de outro jeito, e quem registrou aquilo pela primeira vez.

Entidades catalogadas
85
Biomas mapeados
6
Idiomas na API
3
Fichas ilustradas
25

Os números vêm do banco a cada publicação, nunca escritos à mão. A arte sai por lote, e 60 das 85 fichas ainda esperam a sua. Elas aparecem no folclorário do mesmo jeito: o texto nunca fica esperando a ilustração.

Quatro pilares, um centro

Acervo Vivo

Cada entidade tem causo completo, etimologia do nome, variações por estado, registros históricos e bibliografia. É enciclopédia, não resumo. E está sempre aberta: nenhuma parte dela exige conta.

ABRIR O FOLCLORÁRIO

Arcade

Jogos de navegador que sorteiam do próprio acervo em tempo real. Nada aqui tranca conteúdo.

Jogar

Cartas

O que se ganha jogando é uma carta com atributos e código próprio, verificável sem conta.

Ver as regras

Este acervo é deles

Nada aqui foi inventado por mim. Cada história deste site chegou porque alguém a manteve viva num tempo em que mantê-la viva era perigoso.

Contra o que se resistiu

Durante séculos de violência sistemática, os povos originários e as comunidades quilombolas, ribeirinhas e sertanejas transformaram a palavra falada em arma e escudo. Não por escolha estética: era o único suporte que não podia ser confiscado, queimado ou proibido por decreto.

A língua foi proibida. O terreiro foi invadido. A cerimônia virou caso de polícia, e o que sobrou foi chamado de superstição por quem tinha interesse em que ninguém levasse a sério. O apagamento não foi descuido de arquivo. Foi projeto, e funcionou: a maior parte do que se perdeu, perdeu-se assim.

E não é assunto encerrado. Território indígena segue sendo invadido, comunidade quilombola segue esperando titulação que a lei já garantiu, e o mesmo desprezo que chamava a cosmovisão desses povos de folclore inofensivo hoje a usa como enfeite de campanha publicitária, sem creditar ninguém.

Cada narrativa sobre as matas e as águas carrega uma ideia que a colonização não conseguiu destruir: a de que a terra não nos pertence, nós é que pertencemos a ela.

A quem este acervo deve respeito

  1. Aos povos originários

    Foram os primeiros a nomear a mata e o que vive dentro dela. Quando a colonização tentou trocar esses nomes, eles seguiram sendo ditos em casa, em tupi, em nheengatu, em cada língua que se tentou apagar.

  2. Às comunidades quilombolas

    Carregaram o que a travessia não conseguiu tirar. Toda entidade que veio da África e virou brasileira atravessou junto com gente que se recusou a esquecer, e continuou existindo porque houve quem a repetisse.

  3. Aos ribeirinhos, caboclos e sertanejos

    Guardaram o causo na beira do rio e em volta do fogo. Repetiram tanta vez que a história durou mais que os livros que resolveram ignorá-la.

  4. Aos pajés, griôs e anciãos

    Foram biblioteca sem prédio e arquivo sem papel. O que sabiam não estava escrito em lugar nenhum, e ainda assim chegou até aqui inteiro.

E há uma distinção que este acervo não pode errar. O que aqui aparece catalogado como folclore é, para muita gente, fé viva. Encantado, orixá, caboclo e entidade de terreiro não são personagem de história para fazer dormir: são presença, e existe quem lhes reze hoje, neste país, agora.

A palavra "folclore" descreve como este site organiza o material. Nunca o que ele significa para quem o guarda. Se em algum ponto o texto tratar como lenda o que para alguém é sagrado, o erro é nosso e queremos saber.

Resistir, para eles, foi continuar contando. Este acervo é a tentativa de não deixar essa conta se perder outra vez.

Lendas do acervo e brasileiros de diferentes povos saudando a bandeira nacional na borda da mata

Feito no Brasil, para o Brasil

A bandeira do Brasil tremulando ao entardecer

Estas histórias atravessaram séculos na boca de quem não tinha onde escrevê-las. Chegaram até aqui porque alguém contou, e alguém depois lembrou.

O acervo é escrito em português antes de qualquer tradução, a arte é feita aqui e o servidor fica aqui. Não é patriotismo de bandeira na janela: é o mínimo de coerência para quem se propõe a guardar o que é nosso.

O resto é consequência. Se der certo, alguém em Tóquio vai conhecer o Curupira do mesmo jeito que nós conhecemos o Kappa.

De onde vem o conteúdo

O material de origem é de povos indígenas, comunidades afro-brasileiras, ribeirinhas e sertanejas. Ninguém é dono dele, e é justamente por isso que ele precisa ser creditado a quem o manteve vivo.

Sobre essa base vem o registro histórico: da carta de Anchieta de 1560 aos volumes de Câmara Cascudo, passando por relatos de viajantes e pesquisa acadêmica contemporânea. Parte do texto deriva de fontes abertas sob CC BY-SA, com destaque para a Wikipédia.

Cada ficha carrega as próprias fontes, e elas aparecem na página da lenda em Fontes e registros. Não num rodapé genérico que serve para tudo.

A API é aberta de verdade

Sem chave, sem cadastro, sem limite artificial para uso honesto. Todo o acervo responde em JSON nos três idiomas: a ficha completa, as variações regionais, os biomas, as fontes e os atributos de jogo.

É a mesma consulta que este site faz. Não existe rota privilegiada.

curl https://encantaria.com.br/api/v1/lendas/curupira

O que se pede em troca é atribuição: cite o Encantaria e, quando a ficha derivar de fonte de terceiro, cite também a fonte que a própria resposta declara.

VER A DOCUMENTAÇÃO

Desenvolvimento e curadoria

Thiago Lins

Desenvolvedor Fullstack Sênior e Tech Lead. Acima de tudo, entusiasta da criação. O que me fascina é entender como as peças se encaixam para formar algo maior: um set de Lego complexo, um mapa de mundo aberto, um sistema escalável. Repertório forjado na prática, passando por design, suporte crítico e gestão de crises, hoje aplicado em liderar times e construir produtos que unem estética e robustez técnica.

O Encantaria não tem empresa por trás, não tem investidor e não vende dado de ninguém. O que ele precisa para existir é gente usando e apontando o que está errado.

Achou um erro numa ficha? Corrigir vale mais que qualquer apoio: dado errado se propaga, e nada o desfaz depois de propagado.

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