Unhudo

Unhudo

O Zelador da Jabuticabeira Única

"Muito cuidado para quem for visitar as matas e a zona rural de Dois Córregos e Mineiros do Tietê."

PRONÚNCIAu-NHU-do

ORIGEMPortuguês

APURAÇÃOmedia

Onde a lei não chega, o medo protege: a mata rara vira território sagrado para quem ousa saqueá-la.

NO ARCADEPeça 64 no 2048A carta é liberada ao encontrar a entidade em um dos jogos.

Entidade-fantasma que guarda o pé de uma jabuticabeira única, a única da região que frutifica o ano todo, no sopé da Pedra Branca, entre Dois Córregos e Mineiros do Tietê (SP). Impossível de ferir com arma humana, o Unhudo pune quem colhe suas frutas, arranca orquídeas ou depreda a mata com um tapa capaz de arremessar um homem forte para o outro lado do rio Tietê.

Breno Tamura; lápis, arte-final, cores (Chiaroscuro Studios Yearbook, 2018)

O CAUSO

6 parágrafos · 3 min de leitura

No pé da Pedra Branca, entre os municípios de Dois Córregos e Mineiros do Tietê, existe uma árvore que nenhuma outra da região consegue igualar: uma jabuticabeira que dá frutos suculentos o ano inteiro, sem parar, quando toda a vizinhança segue o calendário normal da fruta. Essa árvore tem dono, e o dono não aceita divisão. O Unhudo não tolera que ninguém arranque suas jabuticabas, e o "ninguém" inclui qualquer visitante, morador antigo ou forasteiro de passagem.

A floresta ao redor da árvore é tratada por ele como casa inviolável, e a proteção se estende a tudo que cresce ali: quem entra para colher flores, orquídeas, especialmente, ou arrancar plantas enfrenta a mesma fúria reservada a quem mexe na jabuticabeira. Na prática, qualquer intenção de depredar aquele pedaço de mata é suficiente para acordar o que quer que o Unhudo seja.

E o que ele é, precisamente, ninguém resolveu com certeza: uma entidade-fantasma, ou morta-viva, imune a qualquer arma que a humanidade tenha inventado. Cães rosnam sem motivo aparente quando ele está por perto; o primeiro sinal, para quem sabe reconhecer, de que a árvore não deve ser tocada naquele dia. O grito dele é descrito como assustador; o sussurro junto ao ouvido, ainda mais, porque chega sem aviso e carrega sempre a mesma mensagem: não toque na árvore, não entre na gruta onde ele mora.

A aparência combina com o nome: roupas maltrapilhas e imundas, cabelos compridos e grisalhos, chapéu de palha surrado, e as unhas, muito compridas, curvadas, encardidas, que deram origem ao apelido. Um único tapa dessas mãos é o bastante para arremessar um homem forte para o outro lado do rio Tietê, deixando-o desacordado por muito tempo. Não é ameaça retórica: é a métrica de força que a própria lenda usa para medir o que ele é capaz de fazer.

Ainda hoje, em noites de lua cheia, alguns moradores mais corajosos saem em busca dele pelas trilhas e cavernas da região; sem sucesso algum, porque ninguém conhece aquele território como o próprio Unhudo. Toda expedição volta de mãos vazias. O problema maior aparece quando alguém decide ir além da simples busca e o desafia abertamente. Nesses casos, ele não reage na hora da provocação; o silêncio dele é, ele mesmo, parte da armadilha. A resposta vem depois, num momento de distração qualquer, quando a pessoa desafiante, a pé ou montada, é arremessada para longe, encontrada no meio da floresta ou dentro de um dos rios da região, bem distante de onde estava antes do ataque.

Há quem ligue esses relatos a uma lenda mais recente da região: um ser enorme, de grandes chifres, sustentado sobre duas patas de formato equino, que teria começado a ganhar contornos nos últimos anos. Alguns dizem que é uma transmutação do próprio Unhudo; outros, que é uma entidade nova, protegendo as mesmas terras por conta própria. Ninguém resolveu qual das duas versões é verdadeira, e talvez nunca resolva, porque quem se aproxima demais para perguntar corre o risco de descobrir a resposta do jeito errado.

Aparência física

Roupas maltrapilhas e imundas, cabelos longos e grisalhos, chapéu de palha surrado. Unhas muito compridas, curvadas e sujas, a característica que dá nome à entidade. Entidade-fantasma ou morta-viva, sem descrição de rosto ou olhos registrada na fonte.

Comportamento e hábitos

Guarda uma jabuticabeira única no pé da Pedra Branca e a floresta ao redor, atacando quem colhe frutas, arranca orquídeas ou deprada plantas. Cães rosnam em sua presença. Comunica-se por grito assustador e sussurro junto ao ouvido, avisando para não tocar em sua árvore ou entrar em sua gruta. Não responde na hora a desafios diretos; pune depois, num momento de distração da vítima.

Como aplacar

Nenhuma oferenda ou ritual de aplacamento documentado; a única forma de evitar sua fúria é não colher frutas, flores ou plantas em seu território, e não entrar na gruta onde vive.

Fuga e fraquezas

Nenhuma fraqueza física documentada, imune a qualquer arma humana. Conhece as trilhas e cavernas da região melhor que qualquer morador, o que torna inúteis as expedições de busca. Não há registro de método de escape após provocá-lo: a punição chega depois, de forma inevitável.