Arranca-Línguas

Arranca-Línguas

O Que Cala o Gado Para Sempre

A carcaça fica inteira. Só a língua desaparece.

PRONÚNCIAar-RAN-ca-LÍN-guas

ORIGEMPortuguês

APURAÇÃObaixa

A perda que a rotina não explica ganha, na lenda, corpo e fome próprios.

NO ARCADEPeça 4 no 2048A carta é liberada ao encontrar a entidade em um dos jogos.

Criatura simiesca e gigantesca que ronda pastos e currais isolados do Cerrado para matar gado; não por fome, não por raiva, mas para devorar exclusivamente a língua de cada animal abatido. O resto da carcaça fica intacto, e é justamente essa precisão que aterroriza quem cria gado na região.

ARTBOOK

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O CAUSO

6 parágrafos · 2 min de leitura

O vaqueiro que trabalha sozinho aprende cedo a contar o rebanho toda manhã, e a temer o dia em que a conta não fecha por um motivo que carne de onça não explica.

Onça mata, come, arrasta. Deixa marca de dente e de garra, deixa rastro de sangue puxado até a touceira mais próxima, deixa uma carcaça mastigada com a lógica clara de quem precisava se alimentar. O que o Arranca-Línguas deixa é outra coisa, e é justamente a diferença que assusta mais do que qualquer ataque de predador conhecido: um boi caído no meio do pasto, sem sinal de luta prolongada, com o corpo praticamente intacto, e a língua arrancada pela raiz, como se tivesse sido colhida, não mordida.

Não há relato de fome por trás do ato. Não há relato de fúria. O gado nunca é devorado por inteiro, nunca é arrastado para outro lugar, nunca sobra evidência de disputa territorial com outro predador. Só a língua desaparece, e o resto do animal fica ali, largado sob o sol do Cerrado, até que alguém da fazenda encontre e não saiba o que pensar.

A criatura por trás desses achados é descrita, no pouco que se conta sobre ela, como simiesca, algo entre um macaco e uma fera de porte muito maior do que qualquer primata conhecido na fauna brasileira, e de tamanho gigantesco, capaz de derrubar um boi adulto sem aparente esforço ou luta prolongada. Ronda pastos e currais afastados das sedes das fazendas, onde a vigilância humana é mais rara e a noite mais cheia de silêncio. É nesse silêncio que age: sem gemido de animal, sem latido de cachorro de guarda, sem qualquer sinal de que algo aconteceu até o corpo ser encontrado horas depois.

O ciclo pecuário do Centro-Oeste, fazendas extensas, currais distantes, noites sem iluminação alguma no meio do pasto, é o cenário que sustenta esse tipo de mito havia gerações: perda inexplicada de gado, presença de um predador que ninguém nunca viu de fato, e uma explicação que sobra para preencher o vazio que a ciência da criação de gado não cobre sozinha. O Arranca-Línguas ocupa exatamente esse espaço.

É importante registrar, com a mesma honestidade que pede a lenda, que a documentação disponível sobre esta entidade específica é muito mais escassa do que a de outras figuras do bestiário centro-oestino. Não há artbook, não há verbete de enciclopédia, não há cronista colonial que a tenha registrado por escrito. O que resta é a linha que corre de boca em boca entre quem lida com gado nas fazendas afastadas do Cerrado, e é só essa linha, sem enfeite, que esta ficha registra.

Aparência física

Simiesca e gigantesca, segundo a única fonte disponível, maior do que qualquer primata conhecido na fauna nativa. Detalhes de pelagem, postura, rosto ou membros não estão documentados; qualquer descrição além dessas duas características seria invenção, e por isso não consta aqui.

Comportamento e hábitos

Ronda pastos e currais isolados à noite, matando gado, principalmente bovino, sem deixar sinais de disputa prolongada. Devora apenas a língua de cada animal abatido, deixando o restante da carcaça intacto. Não há registro de ataque a seres humanos.

Como aplacar

Não documentado em nenhuma fonte encontrada.

Fuga e fraquezas

Não documentado em nenhuma fonte encontrada.