Besta Fera

Besta Fera

O Sinal que a Noite de Lua Cheia Deixa em Quem Cruza o Caminho

"Ela corre pelas áreas florestadas até encontrar uma flor vermelha, coberta de sangue, na qual desaparece."

PRONÚNCIABES-ta FE-ra

ORIGEMPortuguês

APURAÇÃOmedia

Andar à toa na escuridão é assinar, sem saber, a própria sentença.

NO ARCADEPeça 64 no 2048A carta é liberada ao encontrar a entidade em um dos jogos.

Corpo de cavalo, dorso humano, e a crença firme de que por trás dela está o próprio Diabo escapado do Inferno. A Besta Fera galopa pelo interior de Pernambuco, Alagoas e Paraíba em noites de lua cheia, marcando com o "sinal da besta" quem tem a desgraça de cruzar seu caminho.

O CAUSO

7 parágrafos · 2 min de leitura

Não é um bicho do mato. É uma sentença que corre.

Trazida pela colonização portuguesa; em Portugal já se falava de uma criatura de traços indefinidos e rugido assustador, capaz de devorar gente, citada até em Amadis de Gaula e no adagiário popular, a Besta Fera ganhou no sertão nordestino um corpo mais específico e mais aterrador: tronco de cavalo carregando um dorso humano, uma junção que não deveria existir e que, por não existir direito, incomoda mais do que qualquer monstro com anatomia inteira.

Aparece em noite de lua cheia, quando o disco no céu ilumina o suficiente para que ninguém tenha desculpa de não ter visto. Corre pelas estradas de terra do interior de Pernambuco, Alagoas e Paraíba, chicoteando os animais que encontra pelo caminho; cavalos param de repente, cachorros latem sem motivo aparente e depois se juntam a ela, formando matilha, como se reconhecessem nela algo que não é bicho nem gente. O relincho que solta não é de cavalo nenhum: é grito, é uivo, é as duas coisas ao mesmo tempo, e quem já ouviu diz que reconhece a diferença na hora, mesmo sem saber explicar como.

A crença popular não deixa dúvida sobre quem ela é: o próprio Diabo, escapado do Inferno pela única noite do mês em que os portões ficam destrancados. Não sai para se divertir. Sai para marcar. Encostar em alguém, tocar de leve que seja, é o suficiente para deixar gravado o "sinal da besta"; a marca de quem já está separado para o fogo eterno, mesmo que continue vivendo décadas depois sem saber que carrega a sentença. É esse detalhe que torna a Besta Fera mais teológica do que a maioria dos monstros do sertão: ela não mata, ela contabiliza. A morte física é apenas a formalidade que vem depois.

Quem tem a infelicidade de olhar de frente para o rosto dela enlouquece; não para sempre, dizem as versões mais generosas, mas o bastante para que a família passe dias sem reconhecer quem voltou daquela estrada. A cura, quando vem, é lenta e nunca completa: sobra sempre um resquício de olhar perdido em quem cruzou com a Besta Fera e sobreviveu ao encontro.

A perseguição, porque é sempre perseguição, ninguém a encontra parada, termina do mesmo jeito: ela corre até uma flor vermelha, encharcada de sangue, que nasce no meio do mato como se estivesse ali esperando por ela, e desaparece dentro da própria flor. Ninguém nunca a viu sair. Só entrar.

Reza-se o Credo para não ser notado. Leva-se faca ou adaga na cintura, de preferência prateada, de preferência benzida, não porque fira a Besta Fera, mas porque dá coragem de continuar andando. No fim, a defesa real é a mesma de qualquer sentença: não estar na estrada quando ela sai para cobrar.

Aparência física

Corpo de cavalo com dorso e tronco humanos fundidos onde deveria estar o pescoço do animal. A cabeça varia conforme quem conta: em algumas versões é invisível, apenas ausência onde deveria haver rosto; em outras, tem feições de lobisomem. Garras grandes e afiadas nas mãos. Movimento sempre em galope, nunca em passo.

Comportamento e hábitos

Sai apenas em noites de lua cheia. Percorre estradas rurais chicoteando os animais no caminho, reúne matilhas de cães que se juntam ao seu galope sem motivo aparente. Marca com toque quem cruza seu caminho, condenando a pessoa ao "sinal da besta". Termina sempre a corrida desaparecendo dentro de uma flor vermelha encharcada de sangue.

Como aplacar

Rezar o Credo ao avistá-la ou ao atravessar região onde costuma aparecer. Portar faca ou adaga, preferencialmente de prata e abençoada, antes de sair em noite de lua cheia. Nenhuma dessas práticas tem confirmação de eficácia além da crença popular.

Fuga e fraquezas

Não há registro de fraqueza física ou ritual capaz de detê-la. A única proteção documentada é evitar estradas rurais em noite de lua cheia.